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A Ausência que tenho medo de preencher!




Quando nascemos, sempre no lugar certo e com a vida certa, para que possamos reorganizar e trazer a luz aspectos nossos, que ainda continuam carregados de hábitos e emaranhados em crenças e padrões restritivos.


Por centenas e centenas de anos, fomos absorvendo regras, milhões delas sobre sermos bons e ajudarmos aos outros, sobre sermos bons para sermos aceitos e aprovados. Os valores foram sendo subvertidos, talvez para que nos mantivéssemos caminhando pelos trilhos de uma convivência social e coletiva em maiores aceitações.


Eu acredito pessoalmente, que essas crenças eram até necessárias para que não nos transformássemos em selvagens vivendo coletivamente. O problema e que ou nos habituamos as necessárias transformações, ou resistimos porque temos uma natureza conturbada....


Essa raiz, vinculada a compaixão e aceitação do outro e reconhecendo sua dor, tem uma enorme carga a ser paga no final das contas...O dar e o receber ficaram corrompidos e ensinou-se por milênios que devemos dar mais do que receber, ou seremos sempre rotulados.


Hellinger já havia anunciado de que essa história de “amar sem esperar nada em troca e muito bonitinho em conto de fadas, mas que na vida real causa imensos e desastrosos desequilíbrios. Basta avaliarmos os padrões emocionais que são construídos em relacionamentos utilizando esses valores e iremos encontrar sim, uma dolorosa toxidade.


Por isso vamos observar desde o início, onde você por livre e espontânea vontade se inseriu quando decidiu ou precisou nascer? Como é ou era a estrutura da sua família? Qual a dinâmica que eles alimentavam? O que aconteceu até seu primeiro setenário? E principalmente como era a sua mãe? Pois é, é dela que viemos, foi ela que permitiu nosso desenvolvimento no interior de seu corpo, foi ela que aceitou que esse desenvolvimento se concretizasse, para você estar aqui. Afinal peras não nascem de macieiras, e nem castanhas se desenvolvem em plantações de abacaxi...ou seja, por mais conflituoso que seja, você nasceu de onde havia total ressonância com o que, e com quem você é!



Sei que isso soa um tanto freudiano, mas não é. Também falaremos sobre isso em outro post. Este aqui tem a intenção de mostrar como assumimos para nós, a dor do outro e como o outro entende que ao assumirmos sua dor passamos a compartilhar nao somente da sua dor, mas também da sua história. Neste momento confuso, é criada uma co-dependencia emocional, onde sem nos darmos conta atamos a nossa vida na historia do outro, por puro condicionamento e compaixão. So para fugirmos da exclusão que trazemos e dos hábitos que nos mantem seguros, por serem habituais e reconhecidos.



Essa compaixão é tão subliminar e inconsciente, que nos causa culpa, e as duas partes seja a que sofreu ou a que reconhece o sofrimento, se atam, vinculando-se em aspectos físicos que se justificam. Vemos casais, parceiros e amigos que estão conectados pelo dinheiro, parcial ou total, e esse é o único vínculo que os mantem unidos edentro de um relacionamento, seja em que grau for: as contas a serem pagas, porque vivemos inconscientemente.


Existem aqueles que se conectam pela dor seja física ou emocional. Ficam unidos porque um ou ambos perderam alguém muito importante em suas vidas, e desenvolvem doenças físicas compatíveis, terminais, degenerativas ou crônicas, e aquele que precisa ser cuidado estará para sempre dependendo daquele que precisa cuidar.


E sim, cuidar um do outro também e de necessidades do passado os tonam corresponsáveis pelo que lhes aconteceu! Se engana acreditar que quem precisa ”cuidar“ é o personagem mais “evoluído” da tal relação, a leitura é outra: aquele que “precisa” é somente a outra polaridade daquele que depende de quem “precisa”, para poder ajudá-lo.


Há também os conectados a permanente luta. Toda a vida foi e sempre será uma grande batalha, e lutam juntos dando-se mutuamente incentivo e força para que jamais desistam, mas também nunca descansam. Não importa o que vivam ou passem, estarão para sempre conectados com a auto aprovação permanente.


Todos nos trazemos fortes histórias de exclusão em algum nível, e aí vemos os mais diversos padrões de traumas, toxidade e experiências familiares, eles se conectarão com aqueles que trazem também um acentuado grau de exclusão, tão forte quanto o de uma pervertida compaixão. Essas pessoas estarão sempre unidas, onde um se mantem fraco e dependente, e o outro forte e independente. Essa dinâmica toxica alinhava suas histórias, como se o forte tivesse que assumir a responsabilidade pela vida que o fraco teve.


Em todos, a culpa e o excesso de responsabilidade de um com a tendência a assumir o que os outros fazem ou vivem, e a raiz energética e emocional que o conecta a necessidades que o outro tem, de se curar de sua própria dor.


Seria interessante olharmos atentamente a história da nossa mãe e toda sua sistêmica familiar, porque ali encontraremos aquilo com o que estamos habituados a viver essencialmente, desde a muitas vidas/experiências atrás. Sei que nao e muito fácil assimilar a complexidade dessas dimensões que se interconectam. E apesar de alguns conseguirem acessar essa informação sem ajuda terapêutica, o condicionamento emocional da nossa maneira de amar – de dar e receber amor – de aprender e de sofrer nos manter em relacionamentos afetivos e inter afetivos em todos os níveis. Isto acontece porque rejeitamos e excluímos os aspectos que não gostamos em nossos pais, daí a dificuldade em enxergar a nossa mãe com clareza, e isenção de julgamento afetivo.



Refazer nossas crenças de maneira honesta e verdadeira, sem misticismos ou religiosidade nos ajudara nesta difícil tarefa coletiva, a qual estamos profundamente, geneticamente e ancestralmente enredados nesta atualidade. Claro que não e fácil nos vermos sem aquilo tudo que nos rege socialmente, muito menos encontrarmos coragem suficiente de nos desfazer daquilo que acreditamos serem os nossos alicerces.


Nos carregamos a raiva ou afeto com quem nos conectamos desde o nosso nascimento, nos carregamos dentro de nos mesmos a dor, a rejeição, a adoração, a exclusão, as doenças, as perdas, as lutas, a incapacidade, as carências...e como precisamos nos curar e tomar a nossa vida inteiramente, sempre encontraremos alguém que será mais forte do nos, me deixando ser cuidado, ou mais fraco do que eu, me permitindo cuidar....daquele aspecto dentro de mim que não quero ver ou aceitar. Dos dois lados há uma dor a ser trabalhada....


Acreditem, o que causa mais dor em nossas consciências é necessidade humana com que somos exigidos em nossas transformacoes, e o ter que abandonar a única segurança que aprendemos a receber e a reconhece, mesmo que isso implique viver pela metade, com ausência ou com "pouco". Deixar o padrão que conhecemos desde sempre, e que nos manteve vivos e inseridos ate então em nossas histórias pessoais e coletivas, mesmo que elas sejam histórias solitárias e carregadas de dor ou perdas e de fato assustador!


Fomos criados essencialmente para o grande salto, mas não fomos nem treinados, e muito menos nos treinaram para isso.


Amamos e nos relacionamos com frequências energéticas, e mesmo alimento dor, escassez, incompletude, ou qualquer que seja o padrão frequencial onde ressoamos e nos conectamos com os nossos sentimentos, sera sempre o padrão afetivo/amoroso muito mais seguro e conhecido do que qualquer outro, que por acaso se apresente ou se vislumbre, porque e completamente desconhecido.


Numa civilização como a nossa, onde mal compreendemos e aceitamos os nossos aspectos instintivos e ditos reprimidos pelas culturas espalhadas pelo nosso lindo planeta Azul, passa a ser um aceitável efeito colateral termos o pavor do desconhecido. E dai pateticamente o NOVO passou a ser assustador.


Por isso e preciso muita atenção, pois a maior dor é ter que se libertar da dor e da exclusão daquele "amor e aceitação que conhecemos" como os certos, os ideias e os coerentes.

Afinal e o padrão afetivo que nos trouxe até aqui, e que mantemos como se fizesse parte de quem somos (? ).


Infelizmente na maioria das vezes, isso nos custa muito mais do que a tal escassez daquilo com o qual nos habituamos a receber....



Luz e consciência para todos nos!



Cynthia France


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