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A Criança não sabe que não e Adulta....

Updated: Jun 22



Diário na Terra: Nessa confusão imensa a qual estamos inseridos e vivemos, crescemos e aparentemente nos tornamos adultos, não tivemos orientação alguma sobre padrões do inconsciente, mesmo porque também faz parte esse olhar, esse novo entendimento.


Mas isso explica a tal resistência em olharmos para o outro como se fossemos a mesma pessoa. Naturalmente que sempre encontramos os que nos são “afins”, ou seja, o casal que vive conectado porque se alimentam mutuamente um da necessidade do outro, aqueles que se “rompem sucessivamente porque necessitam destruir seus próprios aspectos...


Mas o que interessa neste post e que a partir desta nova percepção, quase sempre gerada por pressões fortíssimas de transformação que são chamadas de vários nomes como crises de ansiedade, depressão, explosões....ou o nome que queiramos dar, devemos deixar as vaidades arcaicas de inteligência de lado a pseudo espiritualidade, que nos mantem atados em dogmas giratórios, sem permitir que saiamos do lugar.


A imagem acima, apesar de ser uma caricatura utilizada para fins psicológicos, encontrada livremente na internet, expressa a mais dura e terrível ponte de travessia as quais estamos submetidos: a criança que fomos vive de mãos dadas com a criança poderosa e ressentida que mantemos e que tomou controle da nossa vida de adulto e não nos deixa assumir o nosso lugar...


Estranho? Pois respire fundo, porque estamos esbarrando em um mundo carregado de crianças invisíveis, arrogantes, autoritárias que sabem tudo, entendem tudo, e que sem terem noção ou ideia do que andam fazendo, andam criando mais e mais disfunção.


O nosso Eu adulto cresceu – ao menos fisicamente - mas não está conseguindo assumir seu próprio lugar, e elas – as nossas crianças esquecidas – se mantem no passado mal vivido, ou mal liberado, e por isso presentemente estão sendo mantidas, gerando uma luta titânica de sobrevivência, impedindo nosso lado adulto de co-criar um mundo melhor. Claro que há dor em tudo isso, afinal não e muito fácil aceitarmos que quem anda comandando a nossa vida são os nossos seres infantis.


Nossa vaidade ferida se movimenta feroz porque acreditamos que fazemos tudo certinho – sabe a criança solitária que precisava ser amada e aceita, e que se esforçou para ser perfeitinha e independente assim todos a amariam? Sabe a criança que precisou assumir ou carregar os fardos familiares? Ou aquela que não pode crescer nunca ou perdera a atenção que tem? Pois elas fizeram seus adultos acreditarem que eles amadureceram...ledo engano, uma armadilha sem porta de entrada! Nos enquanto crianças, lutamos e vimos lutarem para sobreviver, a dor, a separação, a ausências, as perdas, e as outras crianças que as trouxeram para a vida...


Não, não são somente dores causadas em nossa infância, mas também na dos nossos pais e nos pais deles. Em alguns casos as histórias até se repetem em longas histórias. E se juntarmos a isso a nossa própria carga, sabe aquilo tudo tão obscuro e mal esclarecido? Muito esta envolvido, nossas memorias e principalmente nossa desesperada necessidade de sermos amados e aceitos, custe o que custar, afina o preço e alto.

Hellinger conseguiu colocar os nossos desafios evolutivos sem utilizar o nome de Deus ou se esgueirar em qualquer dogma religioso, mesmo tendo atravessado um monastério. Há um vídeo no Youtube onde ele de maneira extraordinária se centra e quase sublimemente diz que não devemos ousar desrespeitar o “destino” e nem tentar entender o que não e preciso ser entendido.

Grande desafio para as crianças internas que carregamos, cheias de necessidade de aprovações e comprovações. Trombo com essas desvairadas travestidas de adultos que nos confrontam diariamente. São crianças intolerantes, usam barbas, possuem seios, e sim, se parecem com os adultos recentrados. Sei que estou sendo polida para alguns e terrível para outros. Parecem adultos, mas são crianças.... sentem como crianças, reagem como crianças, se alimentam como crianças, discutem dando ouvidos a própria criança que carregam, são impacientes e intolerantes como as crianças controladoras, não aceitam serem questionadas, por que como crianças mal posicionadas, se acham certas e perfeitas...esta se reconhecendo ou reconhecendo alguém....hmmmm?


Sim, elas são inadequadas e estão inadequadas em vários aspectos e são reconhecidas em seus descendentes muito mais facilmente. Claro que ninguém mantem sua própria criança interna conduzindo sua vida de adulto de proposito e sim por sobrevivência e observação. Aqueles que nos criaram por diversas razoes também se mantiveram na mesma frequência e no mesmo lugar trocado de algum adulto de suas próprias histórias sistêmicas, que se esquivou de crescer e amadurecer também.


Naturalmente em alguns quadros familiares se veem claramente a troca de papeis, como naqueles em que os pais ausentes tiveram que ser substituídos, seja por morte, ausência por doenças prolongadas ou “simplesmente” pela inabilidade sistêmica daquele pai também amadurecer. Há também as situações em que ambos os pais estão presentes, mas não amadurecem emocionalmente, pela mesma disfunção sistêmica familiar, então os comportamentos repetitivos se perpetuam.



Há situações em que a mãe e a parte resistente, e aí também irão se desdobrar inúmeras situações, onde se identifica o padrão da menina que precisa ser cuidada, tanto na infância como na vida adulta. Há também as situações dolorosas de abandono, de abuso e também daquela onde apesar de não haver abuso, não havia a permissão para ser criança.


Essa última condição coloca crianças buscando alternativas para lidar com o excesso de responsabilidade e a consequente solidão que acompanha essa infância. Muitas vezes nenhuma dessas situações se impõe como eu disse propositalmente, dolorosa ou premeditadamente, mas se apresentam, e precisam ser revistas e liberadas para que haja um salto na evolução pessoal e sistêmica da pessoa, liberando os próprios filhos dessas repetições.


Pois é este olhar que muda toda a história da nossa civilização. Reconhecer que estamos agindo exatamente na mesma medida de quem excluímos ou que se excluíram trará um grande alívio na alma. O equilíbrio e a cura se apresentarão na autorresponsabilidade, deixaremos de acusar o outro de ser o causador de determinada dor, atitude ou reação, afina crianças não entendem o que acontece, não e mesmo?


Sabe aquela vitima que acredita estar fazendo de tudo para por aquele parente que e muito maldoso e cruel, ausente e irresponsável....etc? Pois é, essa historia começa a se diluir. Quanto menos resistência, menos dificuldades. Claro que as próximas gerações vão nos mostrando o caminho. Filhos imaturos que se recusam a crescer, filhos ressentidos que vivem doentes, filhos autoritários que querem que seus pais o obedeçam, filhos fora do próprio lugar que assumem o lugar dos pais, filhos alienados que estão completamente inadequados no contexto familiar, filhos que amam os pais, mas odeiam as mães, filhos que amam as mães, mas odeiam os pais. Filhos que acreditam que não precisam de ninguém, filhos que não conseguem viver sem alguém....


Nao se enganem, ha imensa dor dos dois lados: a criança sobrecarregada que ainda permanece carregando uma vida errada, e o adulto obscuro que nao pode vir a tona, amadurecer e se libertar....


Neste Universo extraordinário, ao qual participamos sem termos a mínima consciência do que e de onde nos emaranhamos, temos a oportunidade de receber em doses diárias, o que anda acontecendo e se desenrolando dentro das nossas vidas inconscientes.



Luz para todos nos,



Cynthia France



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